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PORTUGAL NO INÍCIO DO SÉCULO XX

 

UMA HISTÓRIA DE FAMÍLIA

 

Manuel Pedro Duarte Santos Silva

EB 2,3 Francisco Torrinha

nº 23, 6º C

Introdução

 

Para retratar a vida quotidiana do século XIX e a primeira república no século XX decidi escolher quatro familiares meus, todos do lado da minha mãe, e eles são:

-> O meu trisavô do lado da minha avó materna (pai do pai da minha avó) que foi um advogado de grande prestígio e deputado no Parlamento no tempo da primeira República.

-> O outro avô da minha avó (pai da mãe da minha avó) que, pelo contrário, tendo vivido na mesma época, era monárquico o que lhe trouxe problemas.

-> O meu trisavô do lado do meu avô materno (pai da mãe do meu avô) que emigrou para o Brasil e regressou com algum dinheiro.

-> O meu bisavô do lado do meu avô materno (pai do meu avô) que foi também emigrante no Brasil e que conseguiu regressar rico, em comparação com a vida que levava na aldeia natal.

E agora que já conhecem as quatro personagens de que vou falar vou enquadrar estas personagens reais no seu tempo histórico.

 

A emigração para o Brasil

 

Os números...

Entre 1855 e 1945 partiram para o Brasil: 1426353 emigrantes numa média anual de 15674 emigrantes.

 

As causas...

Nos finais do séc. XIX, princípios do séc. XX, a vida em Portugal era cada vez mais difícil. Os mais pobres iam-se tornando cada vez mais pobres enquanto os mais ricos iam-se tornando cada vez mais ricos.

As pessoas do campo viviam a tentar enriquecer e como o Brasil era visto como um paraíso onde havia ouro, açúcar, café, tabaco, diamantes e outros produtos que valiam uma fortuna era de esperar que houvesse uma grande fuga de Portugal para o Brasil. Essas pessoas eram chamadas emigrantes.

 

De onde vinham?...

Os emigrantes que iam para o Brasil eram na sua maior parte provenientes das zonas rurais, principalmente do Norte do país.

 

Como viajavam?...

Até 1870, os emigrantes partiam do rio Douro em veleiros que levavam 100 a 200 passageiros e a viagem era demorada e perigosa. Com os vapores, cada navio levava centenas de passageiros, o tempo da viagem era muito mais reduzidos (de seis semanas ou mais passou para duas) e tornou-se mais confortável. Os vapores partiam normalmente do porto de Leixões.

 

Qual a sua profissão?...

A maior parte dos emigrantes que chegavam ao Brasil ocupavam profissões ligadas ao comércio.

 

O que faziam quando regressavam?...

A maior parte dos portugueses que emigravam para o Brasil conseguiam juntar algum dinheiro. Os que regressavam mais ricos eram muito generosos pois recordavam-se bem do que tinham passado. As principais coisas que faziam com o dinheiro que tinham ganho era: construíam uma boa casa, punham os filhos a estudar em bons colégios, preocupavam-se em melhorar a aldeia natal fazendo donativos às escolas, às igrejas, aos orfanatos, etc...

 

E AGORA QUE JÁ ESTÃO DENTRO DO ASSUNTO VOU-VOS APRESENTAR O MEU TRISAVÔ E O MEU BISAVÔ DO LADO DO MEU AVÔ MATERNO (O AVÔ DO MEU AVÔ MATERNO E O PAI DO MEU AVÔ MATERNO, ESTÃO A PERCEBER?)...

 

A terra de onde a família do meu avô materno é natural foi lugar de partida de muita emigração para o Brasil. Válega, perto de Ovar, tem uma belíssima escola primária, que o meu avô frequentou quando era pequeno, chamada Irmãos Oliveira Lopes, porque foram esses irmãos, chegados ricos do Brasil, que a mandaram construir, de acordo com o que de melhor havia na altura. Ainda hoje funciona nessa escola um museu da escola primária.

 

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escola fundada pelos irmãos Oliveira Lopes em Válega, Ovar

 

O meu trisavô, Joaquim Valente, que foi dos primeiros emigrantes de Válega casou com uma rapariga índia, de seu nome Leocádia, que tinha sido trazida do Brasil e adoptada por uma família da mesma localidade.

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Joaquim Valente, sua esposa Leocádia Rodrigues Borges e

Manuel Augusto de Oliveira Duarte, 1930.

Já o meu bisavô Manuel Maria de Oliveira Duarte, nascido em 1895 e falecido em 1956, viveu longos anos no Brasil como podem ver por esse passaporte de emigrante passado em 1935.

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Deixou a minha bisavô a tratar dos filhos que todos frequentaram colégios internos e se formaram dois em engenharia e um em direito.

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O meu bisavô Manuel Maria de Oliveira Duarte, em 1936, no Rio de Janeiro.

 

 

Quando o meu bisavô regressou do Brasil mandou construir uma bonita moradia à moda dos brasileiros.

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Válega, Ovar, casa dos meus bisavós

 

A REPÚBLICA

Como estava o país nos finais do século XIX?

 

Nos finais do século XIX, Portugal atravessava uma grande crise económica e social causada a primeira pelos variados empréstimos que eram feitos ao Rei e a segunda causada principalmente pelas grandes desigualdades sociais que existiam.

Qual foi a principal razão pela qual os republicanos ganharam força?

A principal razão foi a questão do mapa cor de rosa e do Ultimato inglês. Para quem não tenha percebido, questão do mapa cor de rosa apresentada por Portugal na Conferência de Berlim de 1884-85 consistia na discussão da partilha das terras do Continente Africano entre as maiores potências da Europa, entre elas a França, a Alemanha e a Inglaterra. No mapa cor de rosa, os portugueses pediam para si os territórios compreendidos entre Angola e Moçambique com o pretexto de terem sido os primeiros a explorá-los e a ocupá-los. A França e a Alemanha aceitaram esta proposta, mas a Inglaterra não.

Depois de umas tentativas falhadas, a República acabou por ser proclamada, já depois de morto o Rei D. Carlos e o príncipe herdeiro no regicídio. Foi proclamada, por José Relvas, no dia 5 de Outubro de 1911, da janela da Câmara Municipal de Lisboa.

Do lado da minha avó materna, os dois trisavós percorreram caminhos muito diferentes. António Carlos Ribeiro da Silva nasceu em 1881 e faleceu em 1945. Licenciou-se, em Direito, pela Universidade de Coimbra. Enquanto estudante, andou metido nos movimentos republicanos e por isso demorou 10 anos a acabar o seu curso... Como desde cedo despertara para a política, foi eleito Deputado pelo Partido Evolucionista que elegeu, em 1919, António José de Almeida como Presidente da República. Tendo, no início, muito dinheiro, acabou por perder grande parte da fortuna na política e lutando contra o regime salazarista. Era muito generoso e mãos largas, tendo sempre a casa cheia de amigos e visitas. Durante a 2ª Guerra Mundial, teve um refugiado sueco a viver em sua casa.

Eis aqui alguns cartões dos comboios de Deputado da Nação, datados de 1921:

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Quanto ao meu trisavô, Avelino Queiroz, avô materno da minha avó materna, era tropa de carreira, ocupando o cargo de sargento, quando se meteu numa conspiração ou incursão monárquica (designada por Traulitada). Esta conspiração fracassou e ele acabou por ser preso e expulso do exército, devido às suas convicções monárquicas.

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O meu trisavô Avelino Queiroz, ainda com farda do exército.

 

 

Conclusão

 

Para dar uma ideia do que foram os primeiros anos do século XX em Portugal, fui à procura das aventuras dos meus antepassados próximos, para que as suas façanhas não fiquem perdidas e também para eu compreender melhor o Portugal desses tempos agitados: uns eram contra a Monarquia, mas outros a favor. Uns iam para longe das famílias e das terras, mas voltavam mais prósperos, realizados, podendo dar às famílias uma vida mais desafogada. Todos eles, à sua maneira, ajudaram a construir o país onde hoje moramos. Por isso gostava de lhes fazer esta pequena homenagem.

 

 

Bibliografia consultada

 

Magina, Ana Maria, Viva a República!, Porto, Desabrochar, 1992

 

Magalhães, Ana Magalhães e Alçada, Isabel, Mataram o Rei!, Lisboa, Caminho, 1994

5 de Outubro, A memória de Relvas, CML

VVAA, Os Brasileiros de Torna-Viagem, Comissão Nacional para a Comemorações dos Descobrimentos Portugueses

 

Depoimentos orais:

Manuel Augusto de Oliveira Duarte

Ana Maria Queiroz Ribeiro da Silva de Oliveira Duarte

 

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© Isabel Malho

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Última modificação em 28-12-2005

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